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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ué! Cortou o rosto!?

Quem tem orkut, msn, twitter ou seja lá o que for, já viu a nova moda.
Na minha época – não sou tão velha pra falar assim, mas em meio às circunstâncias, me vejo na pele de uma senhorita do século passado – a gente costumava chamar esse fenômeno de foto estragada.
É claro que não havia a possibilidade de “ver como ficou” já que ou se via o resultado na hora de revelar ou guardava o show de horrores na gaveta mais pesada do móvel do quartinho dos fundos...
Chega de segredo. São as benditas fotos “do pescoço pra baixo”.
Mas quem foi que inventou isso!?
Não tenho ideia alguma sobre o pioneiro nesta arte de desvalorizar o rosto, mas acredito que é alguém que adora os tempos modernos. Admira a priorização do corpo em relação à alma. E infelizmente, apoia a sociedade que já adotava padrões, agora então, transformou-os em obrigatórios.
Concluo que o corpo é o cartão de visita.
O "quem sou eu", se resume à uma foto bem centralizada nas curvas femininas e nos músculos masculinos.
As paixões são o espelho, o reflexo e a reação que os mesmos causam nas outras pessoas.
Não quero de forma alguma criticar você que adotou esse novo estilo de fotografia vulgar artístico. Me perdoe pelo “vulgar”, mas o tamanho dos shorts, das saias e dos tops não me permitem utilizar outro termo.
Reconheço que o fato de você não revelar seu rosto, minimiza os comentários. Mas por que na foto você é um e na vida você é outro?

Também não sou contra a sensualidade, não é isso. Mas às vezes sinto que a beleza é tudo que a sensualidade tenta ser mas não consegue.
Por que não fazemos assim: tente por um segundo olhar nos olhos, contar uma piada, expor uma opinião...ãhn?
Tenho certeza de que nunca mais você vai precisar daquelas fotos.
Porque no dia que você estiver numa dinâmica de grupo, fazendo uma prova que vai decidir seu futuro, numa fila de banco, na espera de uma cadeira fria de hospital, ou até mesmo enxugando as lágrimas de um amigo ou conquistando um coração digno, a sua imagem não vai te dar o cargo dos sonhos, não vai te passar no vestibular, não vai te dar lugar preferencial, não vai curar ninguém, não vai dar apoio nem receber sentimento verdadeiro e recíproco.
Mas lhe garanto que no dia que você decidir mostrar seu rosto, não apenas na telinha, mas dar a cara pra bater na vida, quem sabe você não fica bonito na foto. Não custa nada tentar.


Por _Berdusco

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Como é mesmo que se diz?

Ontem eu estava sentada num ônibus, como sempre lotado.
Não foi um daqueles dias em que a atenção estava presente. Só me lembro de uma voz um tanto quanto dotada de razão e uma pitada de cinismo que me questionava "por acaso você está grávida?"
Sem revidar, levantei e dei meu lugar a esta gestante que talvez não soubesse que eu não a tinha visto.
Mais atrás, estava um garoto e um senhor sentados. Logo que o senhor se levantou, ameacei sentar. Mas um outro garoto saltou na minha frente e sentou primeiro. Olhou para mim e perguntou de má vontade "você num qué sentá não, né?". Eu respondi que não, mesmo que as minhas pernas pedissem redenção.
Como meu percurso não é dos mais curtos, embarquei num novo ônibus logo em seguida.
Uma senhora se sentou ao meu lado e me ofereceu pão-de-queijo.
Eu, meio sem graça e desacostumada com a gentileza das pessoas, apenas sorri e agradeci.
Naquele momento me lembrei da educação. Da simplicidade dos gestos. Do cortês e do cordial - será que os jovens de hoje sabem que essas palavras existem?
Não falo sobre o "bom dia, com licença, me desculpe e obrigado", e sim da consciência da inversão dos papéis.
Da facilidade em que as pessoas encontraram na quebra de pratos, ofença do ego e destruição da alma.
Singela, apenas a naturalidade em diminuir a posição alheia.
Talvez um vício? Consequência de uma má formação acadêmica? Será que vem mesmo do berço? Me parece mais um vírus que contamina a sociedade, as famílias e o futuro.
Minha mente visualiza aquela miss universo que sem hesitar responde que deseja ardentemente a "paz mundial".
O que é a paz mundial? O que é um mundo melhor? Todos temos as respostas na ponta da língua.
O problema é que ninguém se lembra de ajudar um idoso a atravessar a rua. Ninguém oferece uma carona no guarda-chuva, dá o lugar na fila ou empresta sem juros. Ninguém deixa de sair para um lugar legal com a intenção de doar, o que seria gasto com bem-estar e status, para uma causa que não é do seu benefício.
Ninguém tem o cuidado de perguntar se está tudo bem de verdade. Ninguém se preocupa se o seu trabalho foi árduo, se o seu dia foi difícil, se você conseguiu dormir à noite. Ninguém sabe olhar nos olhos, apenas para o próprio umbigo.
Se tem solução...Hmm...Resposta difícil.
Acredito que não adianta mudar circunstâncias. É mais válida a tranformação de pessoas, de vidas.
Não tem sentido continuar a conviver quando o pedido de desculpas não saiu da garganta.
Madre Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi...Exemplos de que algumas pessoas Deus fez e fez questão de secretar a receita. Bom, falando em Gandhi, ele já dizia "temos de nos tornar a mudança que queremos ver no mundo ".
Pois tinha toda a razão. Pena que pensar como ele não está na moda, né? É realmente uma pena.


Por _Berdusco

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