Atualmente, o coordenador pedagógico ocupa um
lugar fundamental na gestão escolar, contudo numa perspectiva democrática da
organização e sistematização do trabalho educacional ele atua em conjunto com o
corpo docente e a direção para auxiliar nos processos didático-pedagógicos.
Assim como a
sociedade e contexto cultural, sócio-econômico e tecnológico avançaram, a
gestão escolar também teve que se adequar a estas mudanças. E isso se deu tanto
no âmbito discente, através da heterogenia de pensamentos, crenças,
constituições familiares e comportamentos quanto na maneira como os processos
de ensino se transformam de forma a atender este público tão exigente.
Encontramos-nos na era da informação, onde os dados são coletados com
facilidade, entretanto há grande superficialidade na absorção dessas tais
informações e raramente elas chegam a se transformar em conhecimento.
Portanto, o
coordenador pedagógico deve articular todas as ferramentas tecnológicas e as
práticas sociais atuais para atrair a atenção dos alunos e motivar os
professores a inovar suas práticas aproximando-as do contexto cultural dos
alunos. Contudo, não é uma tarefa fácil, pois há uma grande resistência de
ambos os lados. Docentes ficam receosos em tentar algo novo, mudar suas técnicas
que sempre deram certo, provar o desconhecido. Alunos têm dificuldade de
utilizar os recursos disponíveis de maneira responsável e muitas vezes não
percebem a importância dos métodos considerados tradicionais também.
Já em relação
ao projeto pedagógico, a formação dos professores, as reuniões pedagógicas e
avaliações, o coordenador pedagógico atua na mediação das relações
interpessoais para a construção das melhores estratégias pedagógicas para a
melhoria dos processos de ensino-aprendizagem.
No projeto
pedagógico, o coordenador reúne a história da escola, sua identidade, seus
desejos, dificuldades e potencialidades. Através da articulação de todos os
membros da comunidade escolar, ele propicia sempre que necessário uma
rediscussão sobre o que a escola deseja para si e como ela deve atuar para
alcançar suas metas conjuntamente e de maneira democrática.
A formação dos
professores deve ser incentivada pelo coordenador pedagógico frequentemente,
seja pela leitura e análise de textos simples, tanto pela reflexão sobre
eventos do cotidiano, a troca de experiências entre os docentes ou pelo
incentivo a freqüência em cursos divulgados pelos mais diversos veículos. Já as
reuniões pedagógicas devem ser conduzidas de maneira planejada, discutindo os
assuntos de interesse de todos os envolvidos, os problemas da escola, suas
normas e prazos, as novidades, opiniões diversas e demais assuntos que precisam
ser compartilhados constantemente.
As avaliações
pedagógicas devem ser orientadas pelo coordenador através de críticas
construtivas, acompanhamento constante, subsídios para suas aplicações e
análise de resultados. E as avaliações institucionais devem ser organizadas de
maneira mais burocrática atentando aos prazos e normas estabelecidas pelos
sistemas de ensino e de maneira pedagógica através da coleta de dados
necessários a reflexão junto ao professorado sobre as dificuldades e pontos
positivos encontrados e, consequentemente, melhores maneiras de intervenção.
Durante a
observação do cotidiano de diversos coordenadores pedagógicos percebi que as reuniões
pedagógicas, a formação dos professores e o acompanhamento das avaliações
institucionais estão de acordo com as condutas adequadas a função. Contudo, o
projeto pedagógico está muito aquém do ideal, sendo um documento desconhecido por
muitos alunos, professores, funcionários e membros da comunidade. E que não é
nem mesmo discutido por todos os envolvidos, ficando espaço apenas para os
projetos interdisciplinares temáticos do ano letivo.
Assim como as
avaliações pedagógicas que não são analisadas pela coordenação, ficando a
critério do professor avaliar da sua maneira e sem contar com dados de
aprendizagem anteriores.
E um dos
aspectos mais preocupantes é a relação entre os alunos e a coordenação
pedagógica, que não passa de um processo restritamente burocrático, superficial
e hierarquizado. Talvez o que falta nos processos de gestão educacional é um
tanto de humanismo, um olhar mais profundo sobre os sujeitos envolvidos nos
processos educacionais e suas peculiaridades. Entretanto, para isso seria
necessária a divisão igualitária de tarefas, já que a sobrecarga de funções
atribuídas ao coordenador pedagógico no ensino público não permite que o mesmo
dê a atenção adequada a todos os aspectos citados anteriormente.
Por _Berdusco