terça-feira, 8 de maio de 2012

A teoria das Inteligências Múltiplas na prática!


          Promover ambientes educacionais amplos e variados, que focalizem as demais habilidades cognitivas — uma proposta prática que exemplifica o item escolhido é o trabalho com projetos interdisciplinares.
       Além de se aproximarem do contexto e da própria vida do aluno, assim como possibilitam a atuação efetiva e a verificação e demonstração de resultados, os projetos incentivam o aluno a participar e produzir conhecimento consciente da sua contribuição para atingir um objetivo comum.
      Pode-se sugerir um projeto que englobe todas as áreas do conhecimento, e que haja também a divisão de tarefas e o incentivo ao aluno para explorar suas habilidades e capacidades individuais para acrescentar seu conhecimento ao trabalho final.
         Para melhor exemplificar, tomemos como tema “As Nações”. Onde o objetivo é ampliar os conhecimentos dos alunos sobre os países do mundo. Lembrando que cada aluno será responsável por uma ou mais tarefas de acordo com seus interesses e habilidades.
            A inteligência espacial pode ser trabalhada através da confecção dos mapas, bandeiras e reprodução de obras artísticas de cada país. A inteligência cinestésica através das danças e dos esportes e práticas corporais mais praticados. A inteligência lógico-matemática pode ser trabalhada com a análise e criação de gráficos, estatísticas sociais e econômicas das nações. A inteligência musical com apresentações de músicas e peças teatrais específicas da cultura escolhida. A inteligência linguística pode ser desenvolvida através da análise de obras de autores, criação de poemas e narração das peças. A inteligência intrapessoal através de portfólios das atividades realizadas e autoavaliação. E a interpessoal é desenvolvida principalmente através da convivência e cooperação dos alunos e da comunidade escolar para a realização do projeto.
            Dessa maneira, não há a centralização apenas no raciocínio lógico-matemático ou verbal, como acontece em muitas instituições escolares tradicionais. O que existe é a valorização de outras possibilidades cognitivas, ampliando e variando os ambientes educacionais, tornando-os favoráveis para a aprendizagem e desenvolvimento de potencialidades. 

Por _Berdusco

domingo, 1 de abril de 2012

Alfabetização — do conhecido para o desconhecido


           O processo de alfabetização se dá de forma mais natural quando há a contextualização do que a criança aprende na escola com o que vê no seu cotidiano.

          Recordo-me de um dia, quando perguntei às professoras do 1º ano se gostavam do material didático disponibilizado pela escola, apenas por curiosidade. Foi então que me mostraram um texto cheio de detalhes que contava uma história em que a personagem principal era uma jaguatirica. O problema é que nenhum dos alunos ao menos sabia o que era uma jaguatirica.
           Ou seja, não havia o conhecimento prévio para que a criança fizesse a relação entre o objeto do texto com aquele que ela idealiza. Por exemplo, como é a pele desse animal, do que se alimenta, que sons ele produz, que local vive, entre outras características.       Portanto, seria um material desinteressante para os alunos, se trabalhado no momento que fora sugerido.

          Crianças têm uma capacidade imensa de imaginar e criar histórias apenas olhando figuras. E com certeza é uma leitura fantástica!

É uma pena que muitas vezes essa manifestação de criatividade da criança é inibida pelo uso de cartilhas e métodos em geral que não partem daquilo que ela já conhece.

          Se o aluno não for incentivado a utilizar sua capacidade de leitura de mundo desde cedo, temos o que vemos em jovens e adultos: indivíduos que não conseguem se apropriar da leitura de maneira autônoma, interpretando e dando seu sentido individual para o que interpreta.
           Eu acho muito muito interessante atividades como as que o professor mostra uma imagem às crianças e pede que elas escrevam o que imaginam ao observá-la. Pode ser um conto, uma descrição, uma narrativa, um poema, entre outros. O importante é deixar que a leitura seja um processo de liberdade e que a criança tenha confiança em expressar suas ideias. O que não pode acontecer é exigir do aluno aquilo que ele ainda não tem.


Por _Berdusco

Método montessoriano na prática pedagógica moderna


            Na experiência que tive com a educação infantil, percebi que as crianças, repetidas vezes, aprendiam muito mais quando eu agia indiretamente do que quando havia muitas regras e grande quantidade de atividades propostas. E é exatamente isso que acontece. 

            Maria Montessori foi incrivelmente corajosa de propor que o professor ficasse em segundo plano no ambiente e no objetivo final da aprendizagem. Até hoje temos essa dificuldade, não é mesmo?
            As teorias que se formaram posteriormente tiveram grande influência do método montessoriano, e concordo que a autora é uma referência para a pedagogia moderna. Mas por ter como característica o trabalho individualizado e estímulos específicos para cada criança em razão da fase de desenvolvimento que se encontra, atualmente, principalmente no Brasil, é um método que raramente é adotado. Há uma resistência muito grande em relação à escolha de novos métodos de ensino, ficando o tradicionalismo imperioso em nossas escolas.
           Temos professores antigos desatualizados e inseguros em mudar seus hábitos. Em contrapartida, existe também a falta de recursos humanos e materiais para que se possa inovar. Um problema não justifica o outro. Então nos resta fazer um bom trabalho e acreditar que a nova geração de professores abrirá mão do tradicionalismo, mesmo enfrentando dificuldades e pressões externas. E vocês, o que acham? Como podemos enfrentar o tradicionalismo?

           Por outro lado, eu também estudei pelo método tradicional e atualmente adoro ler e escrever e tenho uma letra bonita. E também acredito que qualquer método se bem aplicado gera bons resultados. Mas o fato de possuir apenas lousa e giz não justifica o tradicionalismo puro.

            Temos que observar o que havia de bom nos meios antigos e adaptá-los ao mundo de hoje. E para isso que surgiu a pedagogia moderna, embasada em estudos que comprovam que as práticas anteriores não eram tão efetivas assim. Pois sabemos que os "resultados positivos", como no nosso caso, são para uma minoria. Geralmente, para aqueles alunos que tiveram bons estímulos do ambiente e características individuais que influenciaram no aprendizado. 

             E notamos que hoje em dia, os estímulos ambientais estão escassos e as condições para aprendizagem são diferentes de alguns anos atrás, apesar das fases de desenvolvimento da criança serem as mesmas para todos. O que justifica que o aprendizado se dá de forma e tempo diferente para cada um.
             Métodos como o montessoriano, vieram para que a educação atingisse a TODOS. Sabemos que em algumas situações, parece utopia. Mas com vontade e criatividade podemos sanar as dificuldades.


Por _Berdusco

Humanos são seres de registros



          Transpondo as circunstâncias para os dias atuais, percebemos que a velocidade dos acontecimentos, a aceleração dos processos sociais e a quantidade de informações são características de nossa sociedade atual.

O que percebemos é o mundo do aqui e do agora.
        Acredito que é importante mobilizarmos os recursos tecnológicos tornando-os aliados e não obstáculos para a aprendizagem ou para a formação geral dos indivíduos. E se estamos hoje conectados à internet, nos comunicando através de uma rede em que nossos tempos e espaços são diferentes, é porque naturalmente estamos inseridos nessa realidade. 
           Não é porque o indivíduo utiliza a internet para se comunicar, que vai esquecer como se escreve de maneira formal. O importante é manter o equilíbrio nessa relação, ou estaremos colocando de lado os registros do passado e a maneira como aconteciam, descaracterizando a importância dos mesmos para chegarmos até aqui.
           Por exemplo, as adolescentes não usam mais o diário escondido embaixo da cama e lacrado com cadeado, elas postam no blog. As redes sociais são também os registros de hoje.
Ou lembremo-nos do quão trabalhoso era tirar uma fotografia — nem imaginávamos poder ver o resultado antes de revelar o filme. Não é um avanço? Só que as fotos apesar de continuar armazenadas, não ficam mais nos álbuns de fotografia, mas nas pastas do desktop.
E quanto aos professores que calculavam as notas dos alunos, um a um, na papeleta do diário de classe. Os programas de computador salvaram as infindáveis horas de cálculos e mais cálculos. E o melhor, as notas dos alunos continuam registradas, mas em arquivos ou plataformas na internet.
           Portanto, toda essa transição compõe um processo natural da sociedade. E independentemente da época ou dos meios, o homem é um ser de memórias.

Acredito que os avanços em todas as áreas da sociedade são benéficos e que as constantes transformações nos meios de comunicação e na escrita propriamente dita são reflexos desta evolução.

          Contudo, compreendo muito bem a preocupação que nós temos em relação a distorção da escrita formal. Realmente as crianças e adolescentes, principalmente aqueles que utilizam a internet como ferramenta de comunicação, utilizam linguagens incompreensíveis. Não relaciono este comportamento ao uso das gírias, que são completamente normais para a faixa-etária, visto que todos nós já passamos por essa fase também.

           Mas o que me preocupa é que a grande maioria não consegue compreender aquilo que escreve ou interpretar as informações de uma simples leitura. Não só crianças, mas adolescentes que não dominam esta habilidade básica. Será que o processo de alfabetização se deu por completo? É visível que não.
           Basta saber se a falha vem da dificuldade natural de aprendizagem nos primeiros contatos com a linguagem escrita e nas fases subsequentes ou seu as influências externas estão interferindo nos métodos de ensino.


Por _Berdusco

terça-feira, 27 de março de 2012

Fases da alfabetização segundo Emília Ferreiro e algumas considerações sobre as dificuldades do aluno moderno

Durante a alfabetização, as crianças passam por cinco níveis distintos, sendo eles o pré-silábico, o intermediário I, o silábico, o intermediário II ou silábico-alfabético e alfabético.
O nível 1, conhecido como pré-silábico é dividido em três fases: pictográfica, gráfica primitiva e pré-silábica.
A fase pictográfica é marcada pelo registro de garatujas, desenhos sem figuração e posteriormente desenhos com figuração.
Na fase gráfica primitiva a criança registra símbolos e pseudoletras, misturadas com letras e números, e ainda há um questionamento sobre os sinais escritos ao adulto.
Já na fase pré-silábica propriamente dita, a criança já consegue diferenciar letras de números, desenhos ou símbolos e reconhece o papel das letras na escrita, mas não sabe como isso ocorre. Além de apresentar as seguintes características: não consegue corresponder pensamento e palavra escrita, fonema e grafema; impressão de que a ordem das letras não é importante, de que só existe a possibilidade de escrever substantivos e de que leitura ou escrita só é possível se houver muitas letras, diferentes e variadas.

O nível 2, conhecido como intermediário I, é marcado pelo conflito que a criança encontra ao se deparar com a sua própria escrita pré-silábica e a organização do sistema lingüístico convencional. Há uma ligação difusa entre pronúncia e escrita e certa estabilidade exterior das palavras, pois a criança já conhece alguns valores sonoros.
No nível 3, denominado silábico, há a aceitação de palavras constituídas de uma ou duas letras, mas ainda com hesitação. Há também a possibilidade de convivência com a hipótese de quantidade mínima de letras, utilizando uma letra para cada palavra ao escrever uma frase. Ainda não há definição das categorias linguísticas, mas a hipótese silábica com a fonetização da escrita possibilita maior correspondência som/letra.
O nível 4, chamado intermediário II ou silábico-alfabético,  é marcado pelo conflito da distância entre a escrita da criança e a do adulto. Sendo assim, a criança é induzida a negar a lógica do nível silábico, já que o valor sonoro torna-se imperioso e a criança começa a acrescentar letras principalmente na primeira sílaba.
O último nível, conhecido como silábico, há a compreensão da lógica da base alfabética da escrita e conhecimento do valor sonoro convencional de grande parte ou todas as letras assim como de sua organização para formar sílabas e palavras. Além da distinção de letra, sílaba, palavra e frase, apesar de não dividir a frase gramaticalmente devido ao ritmo frasal — escrita fonética, não ortográfica.
Um dos grandes obstáculos para a alfabetização é considerá-la um instrumento exclusivo da escola. Esta postura descarta a consciência da criança sobre a importância desse recurso na sociedade, desestimulando-a através das tarefas desprovidas de significado e contextualização no cotidiano da mesma — a escola se torna um ambiente peculiar que ensina técnicas, teorias e conceitos alheios a vida.
Outras práticas comuns são os métodos que priorizam o uso de manuais, a adoção de programas de repetição, o exercício da memorização e a cópia de modelos, que expõem as crianças a uma realidade que não está conectada com a exploração ativa dos instrumentos disponíveis na comunidade, como por exemplo, revistas, jornais, propagandas, outdoors, desenhos animados, entre outros. Não havendo a consciência de que toda forma de leitura é importante e deve ser valorizada.

Nestes métodos a criança aprende o alfabeto e suas combinações, os sons e a gramática, considerando este processo um fim em si mesmo. Raramente explica-se que a escrita é uma conquista histórica e que representa a língua e não a fala, o que gera inúmeros conflitos, tanto nos jovens e adultos, quanto principalmente nas crianças.
Devido aos sistemas mencionados acima, há pouca preocupação em incentivar na criança atitudes de curiosidade, interesse, criatividade e coragem para apropriar-se da escrita de forma livre e autônoma. Pois o processo de alfabetização necessita principalmente de tempo, paciência e maturidade. O que não necessariamente se relaciona com a perspectiva errônea do adulto sobre o sistema de escrita e sobre o que fácil e difícil efetivamente.
Portanto, assim como em todos os processos de aquisição de conhecimento ou de desenvolvimento em geral, é importante que a criança participe da construção do conhecimento de forma ativa, sendo o sujeito principal do processo de ensino-aprendizagem.

Por _Berdusco

terça-feira, 20 de março de 2012

Rousseau na Prática de Pedagogos dos Séculos XVIII e XIX

Johann Bernhard Basedow (1723 – 1790)

Fundou em Dessávia o Instituto Philantropium que tinha como filosofia a dedicação ao próximo, tornando-se a mais importante experiência pedagógica da Europa na época, influenciando a pedagogia de Pestalozzi.

 Lutou pela reforma completa nos métodos de ensino e no preparo de professores, na Alemanha, considerando a instrução menos valiosa que a educação.

  • Educação nacional e independente das religiões;
  • Cultura utilitária;
  • Método intuitivo e recreativo;
  • Dos 8 aos 12 anos apenas lições de coisas, fatos e não palavras (vida prática);
  • Noções de vida real;
  • Valoriza a educação física, trabalhos manuais e artes; ciências e línguas sem teorias; aboliu a gramática e a retórica; história e geografia prática; na moral dar bons exemplos e resguardar a prática de maus hábitos.
Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827)

O educador suíço alcançou reputação universal pelos seus esforços dedicados a melhorar a educação, a instrução e consequentemente a situação econômica das crianças pobres.
Ativo política e socialmente, lutou por uma sociedade mais justa e humana, pela educação.

  • Método: conhecimento dos objetos simples até chegar aos mais complexos, do conhecido para o desconhecido, do concreto para o abstrato, do particular para o geral;
  • Princípios: a Intuição, base de todo o conhecimento é a observação; o Saber e o Saber-fazer, importância da formação e não da mera instrução; o Poder, as noções teóricas aliadas à habilidade prática; o Amor, relações amorosas entre professores e discípulos.
  • Todos têm direito à educação: desenvolvimento da sensibilidade, mentalidade e capacidade física;
  • Ensino da leitura e escrita pelo método sintético: começava pelo estudo das vogais, mas antes a criança precisaria saber falar; letras móveis colocadas num cartão (formação de sílabas) — compreensão simétrica e ordenada.
Friedrich Fröbel (1782 – 1852)

O educador alemão desenvolveu sua pedagogia inspirado nas idéias de atividade e liberdade, propondo a doutrina da unidade, ou “parte-todo”. Considerando a humanidade do homem que está sempre aberta a novas perspectivas.
            Foi um dos primeiros a buscar um método para a educação da criança pequena.

  • Deve-se respeitar a individualidade e índole inerente a cada criança;
  • É preciso exercer seus sentidos com liberdade através da observação e do movimento;
  • As atividades manuais (jogo) satisfazem as crianças e são o melhor caminho para o desenvolvimento sadio e natural;
  • Educação inicia-se antes dos 6 anos, principalmente quando se trata de crianças de classes baixas;
  • Meios educativos: jogos e ginástica (cantos e cenas da vida); palestras, poesias e cantos; cultura de jardinzinhos; prendas, brinquedos e instrumentos de trabalho atraentes; partir do concreto para o abstrato (decomposição das atividades e dos objetos).
 John Dewey (1859 – 1952)

Educador, filósofo e psicólogo norte-americano considerado um dos mais geniais observadores da relação entre educação, produção e sociedade. Suas teorias e práticas pedagógicas exerceram influência universal e suas obras serviram de base ao movimento Escola Nova.
Foi o criador do Método dos Projetos, que substitui a ação dos professores pela ação dos alunos. E sintetizou a história passada e futura da escola, definindo o sistema de instrução tradicional como a escola dos três erres: (r)eading, (w)riting e (a)rithmetic — separação das matérias e discriminação e seletividade.

  • Não deve haver nenhuma separação entre vida e educação;
  • A educação deve ser “uma contínua reconstrução da experiência”;
  • A escola deve assumir a feição de uma comunidade em miniatura;
  • A escola deve estar conectada com a vida social e com o trabalho de todas as outras instituições.
  • Educar é promover desenvolvimento “de dentro” e não a formação por elementos “de fora”;
  • E educar é fazer expandir as inclinações naturais e não levar o aluno a vencê-las, substituindo-as por hábitos transmitidos por pressões externas.
Maria Montessori (1870 – 1952)


            Médica e pedagoga italiana, grande representante da pedagogia científica moderna.
            Dedicou-se à pedagogia terapêutica e à educação de crianças anormais, propondo as crianças de inteligência normal os mesmos processos em vista dos defeitos das escolas comuns.

  • Observação científica do comportamento infantil e realização dos direitos da criança;
  • Método: despertar a criatividade infantil e promover a auto-educação;
  • Didática analítica através do ensino individual e dos estímulos externos para o desenvolvimento psíquico;
  • Ambiente favorável à educação;
  • Educador em segundo plano — não atua diretamente por meio do diálogo pedagógico, e sim através de estímulos e meios adequados.
Ovide Decroly (1871 – 1932)

            Combateu o adestramento paciente e contínuo, defendendo a escola para a vida e pela vida.

Programa de Ensino

Seu programa de ensino visa a unidade do saber, a interdisciplinaridade, a abrangência do maior número possível de educandos, a aquisição de um mínimo de conhecimentos, o desenvolvimento integral de todas as faculdades e a adaptação ao meio natural e social.

Associação

            Decroly defendia a associação como ferramenta principal para aquisição de conhecimento. Os exercícios desta ajudam a criança a buscar as noções transmitidas por via oral ou iconográfica com auxílio de recordações de experiências passadas, reelaborando seus conhecimentos. São divididos em quatro grupos: objetos e fatos da atualidade; tempo presente e tempo passado; exercícios tecnológicos; e relações de causa e efeito.

Método Global

O método decrolyano global ou visual-ideográfico diz que “a alfabetização ou o ensino da leitura deve partir do todo, para posteriormente passar à decomposição”. O “todo” era a palavra, retirada do vocabulário de cada centro de interesse. E o primeiro contato da criança com o símbolo gráfico deve estar associado à imagem visual. Contudo, a leitura e escrita são o resultado de um processo de representação de linguagem, já que a fala também deve ser considerada.

A Leitura

            Para Decroly, quando exposta a atos de leitura significativos, a criança vai querer aprender a ler. E o todo é o concreto para a criança, que adquire a noção de síntese antes das noções de análise. Portanto, as sílabas, letras ou sonhos constituem o abstrato para ela — partes do todo que são a última expressão da análise.

A Escrita

A representação da linguagem depende de um processo histórico e individual de estruturação de todo um sistema de representação simbólico. E é um processo de descoberta para a criança.

Etapas da aquisição da escrita

  • 1ª Etapa: pictórica, a escrita se assemelha a desenhos abstratos dos objetos representados e ainda não é associada ao som.
  • Da 1ª para a 2ª etapa: tentativa de produzir uma escrita com traços bem próximos à escrita cursiva, com grafismos já bem definidos.
  • 2ª Etapa: esforço da criança em aproximar sua escrita (cursiva) da escrita-modelo do adulto — busca auxiliar a memória.
  • 3ª Etapa: preocupação com o traçado da letra e as propriedades sonoras do significante. A escrita separa-se em pedaços, cortando cadeia e aparecem números e palavras isoladas. Produção gráfica definida e existe o conhecimento de letras isoladas e como elas se unem para chegar à palavra.
  • 4ª e 5ª Etapas: escrita de forma original, mas não domina a complexidade da relação fonema/grafema.
Devido à individualidade infantil pode existir ou não a quinta etapa, mas só depois de dominada a escrita que deverá vir a preocupação com o aperfeiçoamento ortográfico.

Célestin Freinet (1896 – 1966)



Freinet lutou pela transformação da escola desligada da vida, distante da família, teórica e dogmática. Que deveria ser um centro de atividades, cuja metodologia deveria deixar de lado os manuais escolares, símbolo da pedagogia opressiva.

Proposta Pedagógica

Método natural: aproveitar toda a natureza para tirar dela seus ensinamentos.
Os conhecimentos das crianças, relacionados uns aos outros nas trocas e cooperação mútua são os pilares na construção da escola viva, moderna.
Se o aluno não aprende é porque o ensino de alguma maneira não lhe interessa. Portanto, é preciso seguir o empenho dos alunos e transformá-los pela livre expressão, pela vivência coletiva permeada pela ação no meio ambiente. Numa escola viva, feliz, onde se trabalha e constrói — significação social ao trabalho.

A Livre Expressão

Os conceitos-chave na proposta de Freinet são o trabalho e a livre expressão, onde há a preocupação com o processo e sua construção.

Motivação: a vida da criança

Freinet propõe a desistelectualização dos processos de aprendizagem, onde a criança deve trabalhar com prazer e interesse, e o controle e autoridade do adulto devem reduzir-se. Os elementos para o trabalho pedagógico devem ser colhidos na própria vida das crianças, por exemplo, explorando os arredores da escola. Buscando a cooperação, a organização regular do trabalho e relações mais humanas entre professores e alunos, num meio pedagogicamente favorável.

A sensibilidade do educador

Leitura e/ou escrita e compreensão são dois mecanismos distintos da mesma operação. A criança pode chegar a decifrar sem saber traduzir as palavras em pensamento. É necessário deixar a criança falar e/ou escrever a sua maneira as palavras do seu vocabulário, motivando-a a buscar o próprio aperfeiçoamento. Pois a criança ainda muito nova faz-se compreender muito antes de dominar a técnica da fala, da leitura ou da escrita, gerando oposição quanto a dependência entre mecanização e processo inteligente.
Portanto, a paciência, a espera, o apoio e a sensibilidade do educador são fundamentais para acompanhar a construção do conhecimento da criança.

As Fases da Escrita

  • 1ª Fase: grafismo simples ou não-diferenciado.
  • 2ª Fase: grafismo diferenciado e/ou justaposto.
  • 3ª Fase: imitação da escrita.
  • 4ª Fase: utilização dos sinais convencionais com ou sem valor sonoro.
  • 5ª Fase: escrita alfabética.
Cada criança tem seu ritmo e o educador não deve apressar, mas estimular o processo.

Escrita Pessoal e Livre

De acordo com Freinet, não há idade definida para introduzir a criança na escrita. Devem-se valorizar os textos infantis, desde a escola maternal. Onde o professor é o escriba, fiel ao pensamento da criança — começa o trabalho de composição e criação.
            O trabalho de ajustamento da forma escrita ao pensamento e à sua expressão só pode começar quando a criança for autônoma na escrita. Ajudando a criança a aperfeiçoar o próprio texto, trabalhar a gramática pelo método natural, seguindo os passos de Freinet:

1)      Exercícios de reconhecimento das palavras de modo inteligente;
2)      Detecção das dificuldades, utilizando os erros para exercícios de aperfeiçoamento;
3)      Análise lógica das frases de forma contextualizada;
4)      Cópia somente dos textos já aperfeiçoados no quadro;
5)      Ditado, usado para as crianças avaliarem a si mesmas e aos outros;
6)      Exercícios de caça-palavras.

            Devem-se utilizar palavras já conhecidas para iniciar a criança na leitura, de acordo com o método global.
            A precisão e a riqueza da leitura dependem unicamente da prática e da compreensão global das palavras desconhecidas do texto, valorizando a leitura, as descobertas e as pesquisas das crianças.

Por _Berdusco

Propostas Pedagógicas de Autores dos Séculos XV, XVI e XVII

François Rabelais (1495 – 1553)

Foi o precursor do realismo e do naturalismo na pedagogia, ridicularizando e satirizando a educação escolástica e formalista da época.
  • Método voltado para a formação do homem integral;
  • Primazia ao desenvolvimento do corpo, vida ao ar livre e prática de exercícios físicos;
  • Conhecimento tirado da natureza.





Michel Eyquem de Montaigne (1553 – 1592)


É o maior representante do humanismo francês e precursor das modernas tendências pedagógicas – teorias ampliadas por Locke.
Criticou o abuso dos livros e elogiou a grandeza da condição humana, nascendo de suas idéias uma definição bem clara sobre o homem como ele é.

  • Aprender consiste em assimilar conhecimentos;
  • Primazia em ensinar coisas e não somente palavras;
  • Uma instrução voltada à formação do juízo através da experiência;
  • Educação pode ser ocasional;
  • Juízo é o fim último da educação, conhecimento é o instrumento.


Jan Amos Comenius (1592 – 1670)


            Conhecido como o Mentor das Nações, foi um dos maiores pedagogos da história, contribuindo para reforma da educação em vários países.
            Foi o fundador da Didática e, em parte, da pedagogia moderna — pioneiro na aplicação de um método que despertasse o interesse do aluno.
            Sua obra sintetiza o velho e o novo da pedagogia, sistematizando todo o saber. Propondo a pesquisa e valorização da reforma escolar, política e da moral.

  • São fins da educação: o saber, a virtude e a piedade;
  • A educação deve atingir a todos nos mesmos estabelecimentos: escola democrática;
  • É necessário buscar a unidade do conhecimento por meio do método natural, da escola única e da gradação e continuidade da educação;
  • A escola maternal e o exercício dos sentidos externos através da observação e experiência são fundamentais;
  • A escola comum deve cultivar os sentidos internos (imaginação, intuição e memória) com seus órgãos executivos;
  • No ginásio deve-se trabalhar o entendimento e o juízo (dialética, gramática, ciências e artes de utilidade prática). E nas universidades, cultiva-se a alma pela teologia, a inteligência pela filosofia, do corpo pela medicina e dos bens externos pela jurisprudência.

John Locke (1632 – 1704)


            Filósofo, psicólogo, humanista, médico e professor, influenciado por Rousseau teve idéias de larga repercussão, sobretudo no pensamento inglês, através de sua teoria empírica sobre o conhecimento, ou filosofia baconiana — todo conhecimento vem dos sentidos e do intelecto (experiência).

  • A educação considera três aspectos e seus objetivos correspondentes: o físico com o vigor do corpo, a moral com a virtude e o intelectual com o saber;
  • Princípio epistemológico: a educação tem grande poder;
  • Inverteu todas as idéias e princípios educacionais da época;
  • Saúde e disciplina corporal têm primazia sobre o saber e a eloqüência.

Por _Berdusco

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